Capacitação envolveu 30 internas do Presídio Feminino de Sergipe

A Secretaria de Estado da Justiça e de Defesa do Consumidor (Sejuc), em parceria com a Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), Receita Federal e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), realizou na manhã desta terça, 9, a entrega de Certificados do Curso de Costura de Peça Íntima Masculina. A iniciativa faz parte do Qualifica Sergipe, Programa do Governo de Sergipe de capacitação profissional que oferece cursos alinhados às demandas do mercado de trabalho local, respeitando as vocações econômicas regionais.
Para a secretária da Sejuc, Viviane Pessoa, fazer parcerias e possibilitar qualificação profissional às mulheres em privação de liberdade faz parte das atribuições da pasta que tem o compromisso com a ressocialização. “Entregamos os certificados de diversas internas no Presídio Feminino que foram formadas pelo Senai no Curso de Costura de peças íntimas. A qualificação profissional é uma dentre tantas atividades que o Governo do Estado, por meio da Sejuc, realiza para reinserção social dessas mulheres privadas de liberdade. Então, estamos muito felizes com essa iniciativa e é um curso que vai permanecer no Prefem para que a gente possa capacitar ainda mais pessoas. É uma parceria com a Secretaria do Trabalho, que tem apoiado as ações dentro do sistema prisional, no sentido de ressocializar, e também com o apoio incondicional do Ministério Público Estadual. Com a qualificação a gente consegue preparar as internas para, ao saírem, terem uma oportunidade de trabalho”, informa a secretária.
Presente ao evento de entrega dos Certificados, o secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), Jorge Elias Menezes Teles, agradeceu a parceria com a Sejuc e demais órgãos que estiveram juntos durante a realização do curso. “Todo mundo tem direito a uma segunda chance. Estamos concluindo mais um curso de qualificação profissionalizante em corte e costura. Uma grande oportunidade para essas mulheres, que têm a oportunidade de conhecer uma nova profissão. As peças, apreendidas pela Receita Federal, estão sendo descaracterizadas em oficinas no Prefem para que possam ter um novo uso. Nós vamos trazer novos cursos, pois essas mulheres em privação de liberdade estão se aperfeiçoando cada dia mais. Estamos unindo o conhecimento e, sobretudo, a possibilidade de recomeço”, pontua o secretário.
Foram três meses de estudo e qualificação, com turmas pela manhã e à tarde, tendo como matéria-prima peças íntimas que foram apreendidas pela Receita Federal. A personalização das peças ganha novo uso dentro do sistema prisional no próprio Prefem. Também participaram da solenidade de entrega dos Certificados: diretora do Prefem, Mônica Soares Barreto Pinto; promotora Cláudia Calmon, Ministério Público Estadual (MP/SE); Elaine Cibelle, coordenara Pedagógica do Senai; diretora do Núcleo de Ressocialização Social (Nures), Edjane Marinho; diretora de Economia Solidária da Seteem, Elayne Araújo; e a instrutora do Senai, Rafaela Almeida.
Recomeços
Para D. A. S., 51 anos, o curso foi maravilhoso. “Era uma área que eu ainda não tinha me aperfeiçoado. Foi diferente, porque a gente faz outros tipos de peças aqui. Então, foi uma renovação trabalhar com o curso de peças íntimas. Foi também uma experiência, porque lá fora eu vou poder me aperfeiçoar ainda mais e conquistar um emprego, né? Que é o que a gente deseja: sair daqui e ter uma vida melhor. Com o aprendizado que a professora nos ensina e a do curso pra gente foi gratificante”, revela a interna.
Segundo ela, sua família ficou sem acreditar ao se informada que ela estava fazendo um curso dentro do Prefem. “Eles ficaram sem acreditar, pra falar a verdade, porque na rua eu não gostava. Minha mãe é costureira também, eu sou de Itabaianinha, que é a terra da costura. Aí eu nunca quis me aperfeiçoar em costura. Aí quando eu passei a botar umas peças pra ela, que a gente faz aqui (bolsas e outras coisas), eu disse: “Mãe, tô fazendo um curso aqui no Prefem”. Ela disse: “Eu não acredito. Como?”. E eu falei que estava fazendo o Curso pelo Odara [ateliê do Prefem] e que a gente ganha remissão, ganha gratificação de aprender coisas a mais, pra quando sair pelo menos ter uma garantia de uma coisa melhor, um futuro melhor, não querer mais a vida que a gente tinha. Quando a gente costura e refaz as peças a gente se esforça o máximo possível para fazer o melhor”, declara emocionada a interna.
A.P.P.S, 38 anos, declara que aprendeu no Curso de Costura de Peça Íntima Masculina que tem capacidade de trabalhar como costureira, como desmanchadora, como uma profissional. “Hoje eu tenho certeza que sou capaz não só de ter minha profissão, como também exercer. Minha família hoje está com orgulho de mim, Vou chegar em casa e dizer assim para meu filho: “Filho, olha, sua mãe fez um curso e tem um diploma. Sua mãe estava presa, filho, porque fez coisas erradas, mas lá dentro ela aprendeu que pode ter oportunidade de mudança, de ser outra pessoa”. Então é um orgulho pra mim, mesmo nesse lugar [Prefem], um lugar que estamos pagando pelo nosso erro, mas foi através daqui que hoje eu tenho minha profissão. Então eu tô muito feliz e agradecida primeiramente a Deus e segundo o apoio que teve a Direção, que olha pra gente com olhos humanos. A diretora daqui não olha pelo nosso delito, mas sim o que a gente pode ser no futuro”, declara a interna, ressaltando que se sente motivo de orgulho também para seus instrutores.
“Essa entrega de diploma oi orgulho pra gente, pra nossa família e também pra nossos instrutores. Eles trabalham com amor e dedicação, mas quando ele vê uma aluna se dedicando, tendo vontade, amor, parece que eles ganham mais, superam mais e dão mais garra pra gente continuar. Pra mim foi uma maravilha esse curso, não só pra ganhar minhas remissões, claro que eu preciso ir embora, que eu tenho muito tempo ainda aqui, mas ganhei uma profissão. Com esta profissão a sociedade vai ver a gente com outros olhos. Que eu não estou aqui, deitada, dormindo, estou estudando, fazendo um curso. Então é uma oportunidade para a gente e nós só temos a agradecer”, declara.











