1ª edição dos Jogos Internos do Prefem encerra atividades alusivas ao mês da Consciência Negra

Evento contou com a participação de todas as mulheres em privação de liberdade da unidade prisional 

Uma manhã com muita atividade esportiva no pátio do Presídio Feminino de Sergipe. Foi assim nesta quinta, 27, durante a final da 1ª edição dos Jogos Internos do Prefem, que também marcou o encerramento das atividades alusivas ao mês da Consciência Negra. No total foram quatro modalidades esportivas em disputa. São elas: queimado, futsal, dama e dominó.

Segundo a diretora do Prefem, Mônica Barreto, os Jogos surgiram com o objetivo de realizar uma programação ampla, que pudesse mostrar a interação pacífica e o envolvimento de todas as mulheres privadas de liberdade. “Todas elas  puderam interagir juntas. Foi uma manhã de atividades esportivas intensas, seguido de banho de mangueira e distribuição de lanche. Além disso, na quarta-feira tivemos o Desfile Beleza Negra do Prefem, no qual as internas elegeram uma representante em cada um dos sete blocos do presídio. Teve também oficina de tranças mais elaboradas. Enfim, realizamos atividades que envolveram toda a unidade prisional e possibilitaram uma maior sensação de liberdade. É essa liberdade que a gente quer que elas entendam que merecem e precisam ter. É a maior mensagem que a gente deixa para elas com uma ação como essa dos Jogos”, garante a diretora.

A professora Jocilene Lima Barbosa, que ministra aulas no Presídio Feminino há 11 anos, revela que os Jogos foram alinhados ao Projeto de Consciência Negra, cuja culminância aconteceu com o Concurso Beleza Negra. “Os pavilhões tiveram a oportunidade, o direito e a liberdade de escolherem suas representantes. Tivemos também um poema autoral declamado por uma interna. E hoje, para finalizar esse projeto grandioso, tivemos a final dos jogos, uma atividade de extrema importância para as mulheres privadas de liberdade. É uma ação que motiva inclusive a área educativa, que não se limitada à sala de aula. Nessas ações que realizamos as internas se divertem, ficam mais tranquilas e participativas. Tudo para o crescimento delas, principalmente. A gente percebe que tudo que a gente propõe pra as internas elas realizam, e buscam realizar de forma plena”, pontua a profissional. 

O sentimento de liberdade momentânea e bem-estar também foi ressaltado pelas internas que participaram das atividades. Para  M.R.J.N. (33), a experiência teve um significado especial. “Joguei futsal e fiquei satisfeita com o resultado. Gostei muito e era bom que tivesse várias vezes seguidas aqui pra gente. As outras meninas participaram dos outros jogos, de dama e dominó. Eu gosto de jogar futebol lá fora também. É importante, porque é uma atividade física. Distraiu minha mente e traz alegria. É bom”, declarou.

A interna A.N.S. (36) compartilhou o mesmo sentimento, ressaltando a sensação de leveza proporcionada pela programação. “Eu sempre digo para minha professora que toda atividade que elas fazem aqui eu imagino, por algum tempo, que eu não estou dentro da cadeia. Que eu estou livre. Hoje foi assim. Gostei de ter participado com as meninas”, enfatizou.

Também presente nas competições, T.S.S. (28) destacou a importância do esporte para sua autoestima e estado emocional. “Eu não sei falar direito em entrevista não, mas digo para você que o futsal foi massa. Eu não fiz gol, porque pegaram a bola, mas tudo bem porque eu ajudei o time. Eu senti uma sensação diferente, né? De liberdade. Eu falei para a professora Jocilene isso. Ela sempre conversa com a gente que o crime não compensa e que seria muito melhor se a gente estivesse fora da cadeia para que a gente comece a pensar nisso, sabe? Ah! Eu gosto mais de boxe do que de futsal”, declarou.

Ao final das atividades, a professora Jocilene reforçou o impacto transformador que ações como essa têm na rotina das internas. Antes de sua fala, ela pontuou o papel fundamental da educação na reconstrução de trajetórias e na percepção de pertencimento. “Uma das frases que a gente mais escuta aqui é: ‘Professora, por um momento eu esqueço que estou dentro da cadeia’. Então, qual o objetivo da educação aqui senão tornar essas mulheres livres, nem que seja por um dia, por um momento? Tudo isso que fazemos é para dizer a elas que elas não precisam estar aqui. Que elas têm capacidade e potencial pra estar fora. Que é muito importante que reconheçam esse valor em si mesmas e compreendam que há caminhos possíveis além do cárcere”, finaliza.

Última atualização: 1 de dezembro de 2025 09:55.

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