Certificação do ensino fundamental e médio é o primeiro passo para a ressocialização de pessoas privadas de liberdade

Buscando a certificação nas modalidades de ensino fundamental e médio, internos da cadeia pública de Estância, localizada a 68km de Aracaju, realizaram nesta terça-feira, 20, provas da segunda etapa dos Exames Supletivos no Sistema Prisional, aplicadas e elaboradas pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura, por intermédio do Departamento de Educação (DED), coordenado pelo Serviço de Educação de Jovens e Adultos/Divisão de Exames Supletivos (Seja/Diex/Seduc), em parceria com a Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa do Consumidor (Sejuc).

Na avaliação, os internos tinham quatro horas para responder às 10 questões e elaborar uma redação. Cerca de 26 detentos têm acompanhamento pedagógico na unidade prisional e buscam na Educação uma forma de se reinserir na sociedade.

É o caso do interno Wedson Gregório de Jesus Santos, que tem grandes objetivos de vida. Com familiaridade em exatas, ele pensa em fazer faculdade de engenharia civil. “É uma área com que me identifico bastante, cálculo e tudo que envolve essa área. E também é uma maneira de a sociedade me ver com outros olhos”, disse.

Ítalo Onório dos Santos, de 20 anos, deixou os estudos no 7º ano, antiga 6ª série. Ele busca na cerificação do ensino médio o caminho para se qualificar profissionalmente. “Hoje em dia escolaridade é tudo. Eu pretendo fazer um curso e conseguir um emprego”, enfatizou o interno.


Coordenador pedagógico da Sejuc, professor Genaldo Freitas Lima

De acordo com o coordenador pedagógico da Sejuc, professor Genaldo Freitas Lima, vários projetos são desenvolvidos com intuito de trabalhar a reintegração das pessoas privadas de liberdade no sistema prisional de Sergipe. “Além dos exames supletivos, que a gente executa de forma itinerante, eles têm acompanhamento pedagógico, participação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), e projetos de qualificação profissional”, explicou o gestor.

Ainda de acordo com Genaldo, as atividades educativas que são executadas nas unidades do sistema prisional serão fortalecidas com a assinatura do Plano Estadual de Educação nas Prisões (PEEP), que está em fase de elaboração.

Segundo o diretor da cadeia de Estância, Vanilson Soares, a parceria entre a Seduc e a Sejuc tem proporcionado ótimos resultados educacionais na unidade prisional. “Não podemos falar de ressocialização sem falar de educação. Temos a certeza de que esse é o caminho para que eles tenham um futuro mais proativo e qualificado. E a Secretaria de Justiça e a Seduc têm conduzido esses projetos com muita competência”, destacou.

As provas do Exame Supletivo foram aplicadas e monitoradas pelos técnicos do Diex/Seduc, professores Roberto Vitorino e José Nilson Guedes.

Acompanhamento pedagógico

Com acompanhamento semanal, os internos participam de diversas atividades educativas que vão da preparação efetiva para a participação nos exames de supletivo a projetos de leitura. A professora Maria Ivanilde Rodrigues conta que os internos são participativos nas atividades. “Eles têm um potencial muito grande e são envolvidos em tudo que a gente propõe durante as aulas. Como a Cadeia tem uma rotatividade de internos muito grande, alguns continuam os estudos em outra unidade, e os que permanecem, buscam a certificação”, disse.


Psicopedagoga Anna Karina Gomes Leal

Para a coordenadora pedagógica da unidade prisional, a psicopedagoga Anna Karina Gomes Leal, esse acompanhamento “tem como finalidade ajudar o interno a construir um projeto de vida fora da cadeia. E a educação é o caminho mais rápido para chegar a esse objetivo que eles vão trilhar após cumprirem suas penas”, relatou.

O interno Tony Alves da Fonseca afirma que quer cumprir sua pena e mudar de vida. “Meu objetivo é proporcionar uma melhor qualidade de vida para meus filhos, conseguir um trabalho e ser um bom exemplo para eles”, disse.

Supletivo

Com o objetivo de atender as especificidades do sistema prisional e do público participante, o Seja/Diex reformulou a oferta das provas e restruturou o formato pedagógico das questões, tornando-as mais contextualizada e próxima da realidade dos alunos, além de ofertar  as provas em dois momentos. Nesse segundo momento estarão sendo aplicadas as provas dos componentes curriculares de Português, Arte, Educação Física, Redação e Inglês para o Nível Fundamental e Português, Literatura, Redação, Língua Estrangeira, Arte, Educação Física, Química, Física e Biologia para o Nível Médio.

Para o coordenador do Diex, professor Edson Aragão de Melo, é preciso compreender a oferta dos Exames Supletivos no Sistema Prisional, não apenas como um cumprimento legal, mas um compromisso social do governo do Estado com todos os jovens e adultos  que estão em regime de privação de liberdade. “A participação de cada examinando, deixa claro o quanto está imbuído em seus pensamentos a importância dos estudos para sua vida, principalmente após o cumprimento da pena e o retorno ao convívio social. É uma oportunidade ímpar para que possam reconstruir sua história de vida”, pontuou. Ele ainda explica que a “expectativa é que esse ano a DIEX /SEJA atenda um público de aproximadamente de 500 alunos pelos Exames Supletivos no sistema prisional. Na primeira etapa participaram dos exames 378 alunos, 165 do fundamental e 108 do nível médio”, finalizou.

Fonte: Ascom/SEED

Última atualização: 21 de agosto de 2019 07:42.

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