Agente penitenciário faz obras de arte e tem reconhecimento nacional

Parte das esculturas é feita pelo agente penitenciário no Hospital de Custódia de Tratamento Psiquiátrico

Humberto Alves Ribeiro, ou simplesmente Beto Ribeiro. É assim como ele assina suas obras de arte. O artesão nasceu no dia 17 de junho de 1958 e é natural do povoado Lagoa Funda, no município sergipano Gararu, filho de Neusa Alves de Oliveira e Adalberto Alves Ribeiro, que era um policial militar e comandante de Destacamento Policial da cidade, e por isso a família sempre vivia saindo de um lugar para outro.

Humberto Ribeiro no início da sua carreira na Penitenciária de Areia Branca. Foto: arquivo pessoal

Seu estilo de trabalho é traçar o sofrimento do povo nordestino e do sertanejo. “Eu gosto de divulgar a bravura do sertanejo nordestino que é o que nós somos: bravos e guerreiros, então isso é preciso ser divulgado”, explicou Beto Ribeiro sobre o seu estilo de trabalho.

O agente de segurança penitenciário, Humberto Alves Ribeiro, além da sua profissão tem um perfil artístico que já foi destaque até em outros estados. Apesar de suas artes, ele passou 30 anos sem fazê-las, por achar que não teria o retorno necessário, mas após diversos incentivos da família, para sair de um quadro depressivo, ele decidiu em 2003 voltar a produzir suas peças em que são usadas madeiras, pedras e concretos, e seu objetivo agora é fazer que seu trabalho ajude a descobrir dons artísticos dos detentos, os quais ele acredita que muitos são artistas.

Em um pequeno local, nos fundos de uma unidade prisional, Beto conta um pouco da sua história de vida fora dos corredores penitenciários. Ele fala que, quando pequeno, usava um carvão para desenhar nas paredes de sua casa contrariando assim sua mãe. “Toda vida eu adorei desenhos. Eu iniciei desenhando na infância com uns quatro anos de idade, quando eu morava em Ilha das Flores, eu comecei a desenhar com carvão” disse Beto Ribeiro.

Beto Ribeiro trabalhando em uma das suas obras. Foto: arquivo pessoal

Beto Ribeiro conta que algumas de suas obras são visões que ele teve após um período de dez meses de depressão. Essas obras ele não vendeu e estão na própria casa e no ateliê em São Cristóvão. “Depois que eu passei por essa situação eu notei que a minha sensibilidade aumentou vastamente que a minha visão antes era apenas de guarda prisional, após esse problema me tornei um cara com uma visão mais aberta para o mundo artístico”.

Trajetória Artística

2008 – Recebe a Menção Honrosa do Salão dos Novos com a obra “Criança cheirando cola”;

2009 – Participou de uma exposição coletiva junina na Galeria Álvaro Santos, e conquistou o primeiro lugar no Salão dos Novos na mesma galeria. No mesmo ano ele participou de outra exposição coletiva na Assembléia Legislativa e conquistou o segundo lugar no concurso de Esculturas na Areia com a obra de nome “Os desmandos governamentais”, que foi promovido pela Prefeitura de Aracaju. Por fim, participou de uma outra exposição coletiva de Arte Popular “Singularidades”, no Shopping Jardins;

2010 – Participou das exposições coletivas na Galeria de Arte Sayonara Viana e na Galeria de Arte Álvaro Santos;

2011 – Participou das exposições coletivas no Restaurante Mãe Preta, exposição coletiva junina na Galeria de Arte Álvaro Santos e uma exposição virtual da Galeria de Monalisa. Ganhou também o prêmio, em terceiro lugar, pela obra “Pra onde caminha a humanidade”.

2012 – Realizou exposições de forma individual chamada “Devoção” no Museu de Arte Sacra de Laranjeiras e a outra no Encontro Cultural em Divina Pastora. Conquista o primeiro lugar pelo concurso de escultura na areia com a obra “Os ratos e os três poderes”. Participou de exposições, uma junina da Galeria de Arte Álvaro Santos e outra coletiva chamada “Ícones Juninos no Café da Gente”, e uma outra participação na exposição temporária “Espelho Imaginário: Atlas Subjetivo de Sergipe”, que ocorreu no Museu da Gente Sergipana

Última atualização: 26 de agosto de 2019 13:44.

Pular para o conteúdo